Quem foram os celtas

Aline Peres de Carvalho

* 1 No primeiro século antes de cristo, a Gália, a Grã-Bretanha e a Irlanda estavam povoadas pelos celtas. Estes povos, longe de se configurarem como bárbaros, possuíam uma sociedade estruturada a partir de sua religião (não no sentido restrito que o termo possui para nós atualmente, mas no sentido de cosmo visão). Uma cultura desenvolvida e uma literatura própria, que embora não fosse escrita era cantada e declamada, fazendo parte dos ensinamentos dos poetas e poetisas que compunham a classe religiosa. Porém, nesse mesmo século, a Gália foi invadida por César. A romanização foi uma questão de tempo.

A Cornualha e o país de Gales, redutos Celtas armados e invencíveis, constituíram para eles mais um desafio. Limitaram-se então a uma parte reduzida da ilha, o centro-sul e a costa-leste, onde se fixaram e não mais avançaram. As frequentes invasões germânicas encarregar-se-iam de limitá-los. A romanização foi deficiente e, contrariamente ao que ocorreu na Gália, a Grã-Bretanha somente em parte foi romanizada e, por isto mesmo, conservou ainda através do Intercâmbio entre a Irlanda e as terras irmãs da Grã-Bretanha. Os povos desses três países ressentiram uma Segunda invasão: O Cristianismo.

Já no século IV podemos dizer que o Cristianismo era dominante no Império, pelo menos nas camadas populares. A Gália se cristianizou; a Grã-Bretanha, para não ser perseguida, assumiu a nova religião no início do século V, a Irlanda pela intervenção de S. Patrick, já no século VI assistiu ao florescimento do movimento monarcal. A ação conjunta dos fatores, invasões germânicas, cristianização que assolaram as terras da Grã-Bretanha foi motivo suficiente para as migrações bretãs em ondas constantes que povoaram a Bretanha Armoricana no início do século V, porto seguro para aqueles que se negavam ser compatriotas dos germânicos.

Os celtas apareceram por volta de 2000 a.C., e só possuem existência histórica atestada a partir de 500 a.C., com a chegada dos Goîdels.

Os celtas distinguiram-se particularmente por seu espírito anti-histórico. Eles antes sonhavam sua história do que a viviam. No domínio celta a história é o mito.

A cristianização desses povos representou um marco decisivo para a história literária do ocidente. A cristianização da Irlanda e da Grã-Bretanha foi, estranho paradoxo, o acontecimento histórico que possibilitou a conservação do fundo mitológico pré-cristão.

A Irlanda é um país onde a civilização de “La Tene” perdurou até o século V da nossa era. Suas epopéias, mitos e lendas eram transmitidos oralmente e foram produzidos por um período que vai do século VI ou V a.C. até o século VII d.c. Com a cristianização, a matéria épica e mítica foi liberada da proibição da escrita e foram os próprios druidas-filid, convertidos em monges, que se encarregaram da preservação de sua “literatura”. Neste país virgem de toda influência romana e de todo paganismo clássico, os primeiros convertidos foram, não como em Roma ou na Gália, os humildes e pobres, mas os membros da classe sacerdotal do mais alto nível. Foram eles que converteram os reis, a classe guerreira e o resto da população.

Nesse momento difícil para os bretões, era preciso uma centelha de esperança que permitisse, mesmo que só em sonho, expulsar o inimigo e unificar a Bretanha. Era preciso um grande guerreiro, um rei exemplar. Nasce Arthur, Sonho ou realidade? Chefe guerreiro ou rei?

Essa lenda foi privilegiada no século XII, onde exalta a bravura do povo bretão para infundir a confiança e a esperança. O grande guerreiro, rei todo poderoso, resgata desta forma o mito do herói.

No decorrer das conquistas do país, tradições e costumes foram sendo esquecidos, pouco a pouco, porém resguardados em estado latente refugiaram-se na memória coletiva.

A unidade linguística desfeita e a religião transformada foram na Bretanha Armoricana, as grandes responsáveis pelo desaparecimento da Literatura. É o século XII que faz reviver o passado longínquo e recupera, aclimatando à época, os heróis e as deusas cantados pelos bardos das ilhas irmãs.

Percebe-se que a civilização celta diz respeito à Europa Ocidental – Irlanda, Grã-Bretanha e França.

Os celtas legaram uma história impregnada pelo mito, mas isso não é motivo para considerá-los um povo menor. É necessário dar-lhes o devido valor, porque eles foram os grandes responsáveis e propulsores da evolução da civilização ocidental.

Os celtas não escreveram sua história. O que nos chegaram foram lendas, epopéias e genealogias, que compiladas tardiamente confundem história e mito. E deste emaranhado onde a realidade mescla-se à fantasia que os especialistas extraíram a essência do pensamento e da religião, e a estrutura da sociedade desses povos.

Estudar os celtas é estar em permanente contato com o mito. É viver o mito em todas as suas dimensões porque eles foram o exemplo mais perturbador da fusão harmoniosa entre o sonho, a aventura, a fantasia, o maravilhoso, o imaginário que é o mito e a realidade pura e crua dos fatos que se manifesta através da história.

O celticismo é um humanismo, mas é um outro humanismo, uma outra forma de visão do mundo, uma maneira diferente de sentir, de perceber a realidade, de conviver com a divindade, um outro método de raciocínio.

Para entendermos o pensamento celta é preciso abandonar todo o pensamento lógico, todo o pensamento aristotélico; é preciso abandonar tudo o que faz parte da realidade aparente. É preciso fazer parte da “festa” para não a olharmos com olhos profanos. É preciso enfim se deixar envolver em mantos de magia....

Os arqueólogos distinguiram dois períodos de migrações celtas. Mais ou menos no século XIV a.C., fase que corresponde à idade do Bronze, aparece na Europa Central uma civilização que se caracteriza pelos ornamentos, pela decoração das armas e dos utensílios. Os arqueólogos vêem aí a 1º aparição dos celtas.

2 Estes povos teriam saído de uma parte noroeste da Alemanha, migrado para o Ocidente, em direção às ilhas da Grã-Bretanha e da Irlanda, e se dispersado do sul do norte, do leste para o oeste. Tudo leva a crer que o povoamento celta das ilhas se deu nessa época.

A 2º migração teria acontecido na Segunda Idade do Ferro, período entre 500 e 50 a. C., e caracteriza-se pelas espadas, capacetes, adereços, vasos de cerâmica e metal muito ornamentados. A atribuição do nome celta a esta civilização é incontestável pela homogeneidade dos achados arqueológicos. Os Brittons, nome com que são designados, saem do norte dos Alpes e deslocam-se para a Gália, Grã-Bretanha, Espanha, Itália...

É muito comum a aparição, nas narrativas irlandesas e galesas do talismãs ou objetos sagrados. Nas viagens empreendidas ao outro mundo heróis e deuses, freqüentemente, estão à procura destes objetos ou recebem-nos como forma de recompensa pelos feitos heróicos. Uma outra forma de procura aparece como compensação por um mal sofrido ou cometido pelo herói.



ORIGEM DO POVO CELTA

A Irlanda era habitada por Banba3 e pelos FOMOIRE (demônios negros), donos da terra, opressores disformes, gênios do mal e da obscuridade subterrânea).

A 1º invasão é feita por Partholon. A batalha travada com os FOMOIRE constitui uma constante em todas as invasões. O povo de Partholon luta com os FOMOIRE muitos dos invasores morrem, os sobreviventes não resistem a uma epidemia.

A 2º conquista da Irlanda é feita por um chefe de nome Celta Nemed, que significa o sagrado, os invasores, vencidos partem mas deixam alguns de seus filhos na mão dos opressores FOMOIRE4.

A 3º conquista da Irlanda pelos FIR BOLG5 não é menos mítica que as 2º primeiras. Representa mais um retorno do que uma invasão, porque os FIR BOLG, são descendentes filhos de Nemed. Os FIR BOLG são assimilados pelo FOMOIRE.

A 4º Invasão é feita por um povo de deuses, os Tûatha-Dé Danann6. Ligados à deusa Dana. Este povo traz a religião, a ciência, a profecia, a magia e os talismãs sagrados. Eles vieram das ilhas aos norte do mundo, lugar dos deuses sobrenaturais, dos famosos deuses hiperboreanos. Eles são apresentados como os introdutores do druidismo7 na Irlanda. Eles queimaram seus navios, manifestando assim sua própria metamorfose, e chegaram com os 4 talismãs fundamentais da mitologia celta, (Pedra de Fal - Lia fal / Lança - Seg / espada - claidiub, caldeirão/ coiri ). Ver anexo.

Tudo isso prova que os Tûatha – Dé – Danann traziam com eles uma doutrina religiosa, uma tradição mitológica e em ritual com objetos mágicos e sagrados.

Os Tûatha – Dé – Danann expulsam os FIR BOLG, mas não os FOMOIRE e dominam a ilha até que surgem os GOÏDELS8.

Os Goïdels, também chamados os filhos de Mil, lutam com os deuses e vencem-nos, causando a sua retirada para os lugares sagrados, lá onde eles devem ficar, os Dîde. Para os autores do lebor gabala Erenn, os Goïdels são o povo escolhido, os ocupantes legítimos da ilha. Eles vão dividir a soberania da ilha; os filhos de Mil na superfície do solo, os Tûatha – Dé, em perfeita simbiose com os Fomoire, nos domínios subterrâneos do Sîd – o Outro Mundo encantado e maravilhoso de lagos e colinas.

Como podemos perceber, mito e história aqui se confundem. Demônios e deuses habitam a Irlanda antes dos Goïdels9.

Os celtas possuíam dialetos mas todos se assemelhavam, acentuando desta forma uma grande diferença em relação às outras línguas, Sendo assim a unidade lingüistica se mantinha entre eles. Entretanto, a esta união acrescentava-se outra, muito mais envolvente e mantenedora: a unidade religiosa.



Religião

A religião que caracterizou a civilização celta. Os estudos atuais já conseguem afirmar que sem a estrutura da sociedade celta não poderia haver druidismo e vice-versa. É a partir desta afirmação que se torna impossível reatualizar o druidismo, religião de todos os povos celtas, pois eles era ao mesmo tempo, o arquétipo10 da sociedade celta e sua emanação; logo, necessitava daquela estrutura para o seu pleno florescimento.

O que hoje os estudiosos denominam druidismo são os traços comuns desta civilização, isto é, a maneira de encarar a vida; a estrutura lingüistica única, com pequenas variações, que dividia-se em dois troncos principais - gaélico e o bretão; o sistema filosófico, jurídico, metafísico e religioso comum a todos os celtas. Toda essa tradição era transmitida de geração a geração, unicamente por via oral, porque os celtas proibiam terminantemente o uso da escrita no tocante à religião.

A teorias sobre a origem do druidismo foram, e ainda são, motivo de muita controvérsia. Quando nos referimos a tradições, doutrinas ou mesmo qualquer instituição de caráter religioso, encontramos sempre referência explícita a uma cosmogonia, a uma teogonia, enfim, ao illo tempore11. Todas as religiões constituíram-se a partir de uma revelação. Entretanto, essa revelação, para o druidismo, se perde no tempo.

As religiões são passíveis de mudanças ou evoluções , mas não morrem jamais completamente; sempre sobram alguns elementos da crença ou dos rituais na religião nova que se instala. É de estranhar que não se faça referências ao folclore, o que raro exceções os druidas que sobreviveram no folclore estão já completamente desacreditados do seu sacerdócio.

Não se pode negar que o folclore conserva reminiscências mitológicas e detalhes arcaicos, mas para o estudo religioso é um domínio pouco seguro, pois tudo que possuí foi recolhido a partir do século XIX.

Partindo-se do princípio de que os celtas não estabeleciam limites entre o real e o imaginário, portanto entre a história e o mito, e afirmara que toda tradição Irlandesa é mitológica, e que não pode trazer nenhuma referência histórica, é uma posição cômoda, mas restrita e preconceituosa. Negando tendências que são inerentes ao ser humano acentuando a dicotomia mito/realidade/,mito/história, fecha-se portas ao conhecimento.



Sociedade

Sociedades celtas sobreviveram estruturas de um passado profundamente pré-histórico, e lá vamos encontrar a vida social centrada no clã e na cerimônias e ritos que lhe eram próprios, onde política, religião, direito, e economia, não possuíam qualquer diferenciação. As sociedades europeias já haviam ultrapassado havia muito tempo esta organização social.

Entre os povos celtas sobressaem três sistemas de ritos que correspondem à forma de vida arcaica, de um passado longínquo, possíveis reminiscências dos povos indo-europeus:

• A caça ao crânio (1)

• A Aliança pelo Sangue (2)

• Sistema de Dom (3)

(1) Os gauleses e os irlandeses tinham como ritual cortar a cabeça do inimigo morto. Este hábito era o troféu obrigatório e correspondia a um rito de passagem para os jovens, sua entronização como homens dentro da sociedade.

(2) A aliança pelo sangue persistiu entre os celtas, Giraldus Cambresis12 nos conta que os irlandeses selavam suas aliança pelo ritual do sangue, onde cada parte bebia algumas gotas do sangue do outro. A aliança pelo sangue criava ou confirmava um parentesco entre as partes, e por menos que fosse a quantidade de sangue vertida, simbolizava que o mesmo sangue corria na veia dos interessados. Este rito é uma relíquia de sociedades bem arcaicas em que as relações jurídicas dos homens se confundiam com s relações de parentesco. Na Irlanda, este rito servia para confirmar um contrato solene dando-lhe um sentido místico.

(3) Foi chamado por M. Mauss, na maioria dos textos épicos e míticos, irlandeses e galeses, nós vamos encontrar um cavalheiro ou uma dama que ao se apresentarem numa corte solicitavam um Dom ao rei, sem porém, dizer o que desejavam. O rei, neste momento estava sendo desafiado a ser generoso, prometia atender ao pedido mesmo antes de saber o que seria solicitado. O Dom era obrigatório e devia ser proporcional à condição do solicitador13.

A estes temas mitológicos e épicos correspondem práticas efetivas nos países celtas . Toda a Irlanda estava organizada num ciclo infinito de dons obrigatórios de gado.

Não são entretanto, somente os ritos que apresentam reminiscências primitivas, a estrutura da sociedade celta também nos remete às civilizações pré-históricas.

Para os celtas a fidelidade só podia afirmar-se em relação a um homem, à uma família, ou ao clã, mas nunca a uma noção abstrata como “estado”. A primeira unidade social celta recebia o nome de Tuath, que significava tribo, clã. O que importava dentro do Tuath eram as fine ou famílias.

Estas famílias apresentavam, muitas vezes traços nítidos da família uterina, esta filiação uterina interferia na educação e preparação dos jovens, efetivamente a criança pertencia ao clã da mãe, mas como a mãe vivia no clã do pai, então por um bom período de tempo , era levada para o clã da mãe. A criança ficava sobre a proteção da pessoa qualificada (um membro da família materna ou um intelectual, o druida), que se tornava desta forma um segundo pai, que chamamos pai espiritual. Esta instituição que recebe o nome anglonormando de fosterage, se manteve por muito tempo nos países celtas. Existem exemplos de sucessão em linha materna e mesmo até de um certo matriarcado nas famílias lendárias da Irlanda.

As sociedades tendiam evidentemente para a monogamia, mas a poligamia era aceita, havia normalmente uma matrona, mas havia também outras mulheres ou esposas. O divórcio entre eles era normal, assim como o casamento anual.

A Tuath constituía na sociedade celta o agrupamento de células que se sustentavam por si só, seus membros eram parentes solidários, nutridos pelo mesmo leite, vivendo sobre o mesmo solo, descendendo de um mesmo ancestral, indicado por um nome que poderia ser um nome gentílico ou nome coletivo. Algumas instituições celtas conservaram vestígios do princípio simbólico que envolvia determinados animais e podemos observar isso nos textos épicos e míticos onde os personagens possuem interdições alimentares, ligam-se pela analogia do nome a certos animais ou estão sob o efeito de palavras mágicas que o proíbem de matar ou comer a carne destes animais.

A Tuath possuía vida própria e se bastava a si mesma. A terra era propriedade coletiva, todos os membros participavam das obrigações e dos lucros. Cada Tuath possuía uma hierarquia bem determinada que ia do agricultor ao druida. os bens era comunitários. Cada tuath formava uma sociedade a parte.

O comércio era feito na base de trocas de mercadorias, não havia moedas a sociedade era totalmente rural. Enfim a tuath assemelhava-se quase a uma autarquia. Essa total independência da tuath explica a impossibilidade de unificação política, que foi o traço dominante da civilização celta.

Sendo as Tuath assim constituídas, podemos dizer que as células da sociedade celta eram de ordem político–doméstica, suas funções políticas eram da mesma natureza que as da família, não havia cidades, não havia ministério público para os castigos dos culpados14.

As contestações eram julgadas quando se fazia necessário e os prejuízos pagos de acordo com a classe social, a idade e o sexo do lesado. Tudo era resolvido a título privado.

Partindo-se do princípio que as funções políticas do tuath eram de ordem doméstica e que o rei não era proprietário da terra (bem comum e indivisível) não é difícil entender que o rei governava com um chefe de família. O rei era um magistrado eleito podia autorizar um membro qualquer da tuath a ocupar uma porção de terra para construir ou cultivar.

Toda esta estrutura se articulava pela ação conjunta dos quatro elementos mantenedores da sociedade. O druida15, na sua tripla função de Sábio, Vidente e Guardião da Tradição, a conjunção do Saber e da Ação que eram exercidos solidariamente pela dupla druida/rei, os guerreiros/heróis, investidos da força exemplar que se manifestava a serviço da paz; as grandes deusas; que coloriam com seus mistérios a vida de todos estes homens.

A lenda celta transpõe para os mitos toda a realidade da estrutura social e religiosa, porque entre os celtas não foi a sociedade que determinou a religião; ao contrário, foi a religião que estruturou a sociedade.



Sobre o mito

Histórica e miticamente os druidas detinham os dois aspectos da Soberania: a guerreira e mágica, a religiosa e jurídica – os aspectos Varuna e Mitra, segundo as concepções indianas.

É de estranhar que não façamos referências ao folclore. O que acontece é que salvo, raro exceções, os druidas que sobreviveram no folclore estão já completamente desacreditados do seu sacerdócio. Não podemos negar que o folclore conserva reminiscências mitológicas e detalhes arcaicos, mas para o estudo religioso é um domínio pouco seguro, pois tudo que possuímos foi recolhido a partir do século XIX.



Sobre a Mulher

A sociedade celta sempre reservou à mulher um lugar de honra e nos melhores momentos dos ciclos Irlandeses, “épicos ou mitológicos”, lá onde o paganismo se manteve mais forte, ela aparece como poetisa encarregada das profecias e das mágicas, não temos grandes explicações da função que a mulher exercia na classe religiosa.

As mulheres na sociedade celta, conforme já vimos, ocupavam um lugar de destaque, mas para explicarmos qual era a situação da mulher cleta é preciso retroceder no tempo.

O primeiro culto oferecido a uma divindade foi provavelmente o culto da Deusa – Mãe, Deusa – Terra.

Não nos é permitido assegurar que tenha havido um matriarcado porque não se dispõe de provas que atestem a existência desse tipo de sociedade, mas podemos assegurar que a mulher nessa época, no plano social tinha papel predominante.

No universo mágico-simbólico a mulher era vista sob dois pólos: a mulher era a terra na medida que desenvolvia o grã; mas também o colhia quando já desprovido de vida, sozinha ela simbolizava a unidade do universo, como também da vida e da morte, mãe da qual saíram todos os deuses.

A antiga crença de que o consumo de um alimento ou o contato com um objeto sagrado tornava a mulher grávida, foi substituída pelo germe nela colocado pelo macho. Pouco a pouco, nos quatro cantos dos mundo reconheceu-se que era preciso haver dois para produzir e para procriar.

Aparece então a noção de casal e o culto ao casal formado por um deus e uma deusa começou a ser privilegiado. O casal divino, bissexual, passa a objeto de adoração.

Entretanto, esse reinado conjunto não satisfez ao homem. O despertar do homem para a sua atuação na fecundação provocou transformações profundas nas antigas estruturas mentais que gradativamente, foram se transformando...

A comprovação de que a mulher era somente receptáculo da semente que o homem produzia e plantava desfez o encantamento da mulher como agente primordial e único de ligação entre a terra e a divindade. Pouco a pouco a mulher passou a ser vista não mais como pólo de vida e de morte e sim sob dois eixos, opostos ainda, mas sensivelmente diferentes.

O primeiro impregnado de tabus contra a sexualidade feminina causadora de perturbações e acidentes. É neste eixo que se insere o patriarcado, regime que tem por base a célula familiar, e onde o homem adquire prioridade na medida em que é o procriador e o chefe desta pequena comunidade.

Até a invasão da Gália pelos romanos, direito celta nos ensina que, se as sociedades já eram patriarcais, as mulheres celtas ainda não se tinham convencido disto, e não permitiam também ao homem a plena Soberania da qual ele já gozava em outras sociedades.

O pensamento celta não estava de todo dentro do esquema patriarcal . Quando os indo–europeus espalharam-se pela Europa, encontraram populações praticando uma religião onde a deusa-mãe, era a figura central. Os celtas impuseram seus hábitos sociais, sua língua e sua religião, única aos povos que dominaram, mas também assimilaram sistemas que não eram seus. Embora se organizassem numa sociedade patriarcal, privilegiando as divindades masculinas, a imagens das mulheres entre eles não se modificou. Elas continuaram a ser figuras mágicas, a encarnar a Deusa-Mãe e a representar a Soberania.

A noção de Soberania celta é simples em seu princípio. É sempre de essência feminina é um alegoria da terra da Irlanda, personificada por uma jovem e bela mulher, rainha da Irlanda ou de uma província. Sempre jovem e virgem (palavra que significa nas línguas celtas, a mulher que não está unida em matrimônio a qualquer homem), de beleza tentadora e resplandecente, ela é eterna, conforme o principio que representa e encarna. Nas sociedades celtas, conforme já vimos, o rei não é soberano ele conquista a soberania ao unir-se á mulher, que jamais precisa ser iniciada ou entronizada. O pode real sendo temporal é possível de ser substituído ao contrário da Soberania que é eterna, e em sua essência é única e múltipla. Ela é totalidade da autoridade espiritual e pelo sacerdócio é eminentemente superior a tudo, investindo–se ainda do poder espiritual. Em termos gerais, a soberania é ao mesmo tempo, o sacerdócio e a guerra. Banba é a primeira habitante da Irlanda. Ela representa a soberania da Irlanda, e seu nome pode ser aproximado de banb, que significa porco selvagem. Banba, Fotla ou Eriu são manifestações da multiplicidade na unidade: á a tripla Soberania.

A noção de Soberania celta é simples em seu princípio. É sempre de essência feminina é uma alegoria da terra da Irlanda, personificada por uma jovem e bela mulher, rainha da Irlanda ou de uma província. Sempre jovem e virgem.

O culto da Mãe divina é universal. Ela não era uma mulher entre as outras, ela era a Mulher, fonte de vida e amor. Rainha da paz, ela era a protetora, consoladora e indulgente. Solícita, velava por todos os seus filhos. Seja ela Dana, Brigitt, Rigantona ou Maria, não esteve e nem está presa a nenhuma tradição particular. Está fora do tempo, do espaço, das raças, das crenças...

Nas sociedades celtas tanto os homens quanto as mulheres, podiam receber a terra para cultivá-la ou criar gado. A posse comum da terra, associada à participação da mulher na vida política e religiosa, o que lhe conferia direitos iguais aos dos homens, foi um dos motivos da perseguição romana aos druidas, até fazê-los desaparecer de Gália e, parcialmente, da Grã-Bretanha.

Nas sociedades celtas, conforme já vimos, o rei não é soberano ele conquista ao unir-se á mulher que jamais precisa ser iniciada ou entronizada, o poder real sendo temporal é possível de ser substituído ao contrário da Soberania que é eterna, e pelo sacerdócio é eminente superior a tudo, investindo-se ainda do poder espiritual.

Em termos gerais, a soberania é ao mesmo tempo, o sacerdócio e a guerra. Banda é a primeira habitante da Irlanda. Ela representa a soberania da Irlanda, e seu nome pode ser aproximado de banb, que significa porco selvagem. Banba, Fotla ou Eriu são manifestações da multiplicidade na unidade: á tripla Soberania.

A trindade é um principio fundamental das culturas indo-européias. Todos os celtas associavam suas divindades a uma série de tríades. Entre os gauleses encontramos as três Matres, Matrae ou Matronae, representadas por três mulheres sentadas uma ao lado da outra. Elas simbolizavam a Terra, a natureza, a força criadora de toda e qualquer vida.

Na Irlanda, a Grande Mãe16 não tinha o caráter de deus-égua que lhe atribuíam os gauleses e galeses, ao invés do caráter psicopompo17, é sua função maternal que é privilegiada. Ela era a Dana ou Ana, grande principio neolítico da divindade feminina antes do aparecimento das sociedades patriarcais indo-européias. Todos s grandes deuses dos Tûatha-Dé são seus filhos como o Dagda , Nuada, Lug, Ogma, Goibniu...

O fato de a mulher escolher o marido e não poder ser casada contra sua vontade é prova ainda mais forte da sobrevivência do antigo direito das mulheres.

Mas foi a tradição lendária irlandesa que nos deixou os mais significativos exemplos do poder mágico da mulher na escolha do homem amado.



Casamento

O casamento entre os celtas não era considerado um sacramento, não durava para todo o sempre nem implicava em fidelidade, tanto para o homem como para a mulher. A própria noção de fidelidade, como nos a entendemos hoje, não existia. Jamais um homem ou uma mulher ao se casarem juravam fidelidade, nem momentânea nem eterna.

A pessoa eleita era aquela que inspirava um sentimento particular e para quem eles sempre voltavam, mas isto não impedia outros sentimentos, que não se misturavam com os laços que uniam o casal.

O casamento era um contrato. Não havia cerimonia religiosa.Quando as cláusulas do contrato não fossem mais respeitadas, o casamento acabava. Era uma espécie de união livre, que repousava sobre a liberdade dos cônjuges, protegida pelas leis, mas de fácil dissolução, porque divórcio era de uma facilidade desconcertante, mesmo depois da cristianização.

As mulheres tinham os mesmos direitos e deveres que os homens. Entre os celtas, a mulher era vista como uma deusa que dispensava Soberania ao homem escolhido. Fosse ele rei ou homem comum, era preciso salvaguardar a mulher, responsável pela sua Soberania.

É conhecida a espantosa universalidade do mito amazônico, que surge exatamente nestas civilizações onde o elemento feminino ainda era altamente estimado e respeitado. Essas mulheres relacionam-se ao mito da mulher-mãe e da mulher- amante que nos remete à fusão Deusa-Mãe, prostituta sagrada. Estes hábitos indicam a grande liberdade sexual que reinava entre os celtas. Eles não possuíam tabus sexuais.

O cristianismo tentou vencer esta fascinação erótica que o feminino exercia nos celtas e que conduzia a uma verdadeira transcendência metafísica18. O cristianismo tentou de todas as formas sustentar a idéia de ter sido a primeira religião a elevar a mulher, a arrancá-la da indignidade a que tinha reduzido o paganismo. Apresentou como provas o culto mariano, a promoção do casamento a sacramento, o respeito devolvido às mães.

Se foi pagão celta que o cristianismo quis salvar, pode-se perceber o quanto a mulher perdeu com isso, e como a condição feminina se deteriorou em todos planos. Para a anulação total da mulher no plano jurídico, pelo direito romano, o cristianismo, no plano social, impediu as mulheres de exercerem funções elevada e no plano cultural, transformou a antiga fada, a mãe-divina, a sábia, a sedutora, em figura perigosa.

O que podemos concluir é que na sociedade celta as mulheres eram livres, donas de seu destino. Podemos dizer que foi uma sociedade de transição entre o matriarcado (onde a mulher era vista, por função criadora, como um ser mágico, uma divindade) e o patriarcado (onde o homem, ciente de sua participação ativa no ato da fecundação passa de inferior ou igual a superior à mulher ). Esse momento de transição foi chamado pelos historiadores e antropólogos de semipatriarcado. Na realidade a nomenclatura não nos parece dar conta do fenômeno. Sendo esta divisão tirada da antropologia e da história acaba nos parecendo falha quando a utilizamos para o estudo da cultura celta, com sua mitologia e sua epopéia onde tudo se imbrica.



Escrita

A palavra oral era o pensamento ativo, dinâmico, evoluindo com o homem e a vida, da qual ela era parte preciosa. Tudo o que era dito oralmente tinha a capacidade de ser modificado, porque não se fixava num aqui e agora. A escrita, ao contrário, fixava na matéria, de forma definitiva, um nome, um momento, uma idéia; tornava estaticamente imutáveis os efeitos de uma fórmula mágica, de uma obrigação ou maldição, de uma menção funerária. A escritura, desta forma, matava o que deveria ser vivo ou o que deveria reviver eternamente.

Os mais antigos textos irlandeses são testemunhos vivos deste pensamento. São narrativas em prosa interpoladas de versos. Os versos representam a parte fixa da tradição oral e deveriam ser transmitidos tal qual foram escritos. A parte em prosa eram as explicações constituídas por passagens retóricas, muitas vezes deformadas, incompreensíveis, mal passagens, mas, por isso mesmo, a parte flexível, viva, onde cada cantador ou contador era livre de recitar ã sua maneira. As narrativas irlandesas apresentam mesmo, muitas vezes, dificuldades em ser estabelecidas, pela diversidade de versões que possuem. Assim, a cada geração, o saber se renovava e a doutrina era transmitida. Confiar tudo isso ã palavra escrita, imutável, desprovida de vida, era matar o pensamento, sempre passível de transformações.

A tradição celta foi oral enquanto viveu. Os antigos eruditos da Irlanda, anteriores a S. Patrick, não escreviam livros, não por incapacidade, mas por falta de necessidade. Os celtas da Irlanda, antes do alfabeto latino (estabelecido por volta dos séculos VI e VII), possuíam uma escritura própria, o ogam. O ogam era uma escritura irlandesa cuja origem é ainda obscura. É provável que se trate de uma adaptação ao alfabeto latino de um dos sistemas celtas autóctones, análogo ãs runas escandinavas. Sua invenção era atribuída ao deus Ogma, dos Tûatha-Dé, visto como deus ligador, inventor da escritura, deus da eloqüência, da guerra e da magia. Pela língua ele conduzia a humanidade amarrada pelas orelhas. Ele era o pai da palavra, o poder que levava os homens à paz ou à guerra. Deus da justiça, seu nome evoca o caminho a seguir. Ele era o condutor.



Literatura

Foi liberada da proibição de escrita e foram os próprios Druidas, convertidos em monges, que se encarregaram da preservação de sua “literatura”. Neste país virgem de toda influência romana e de todo paganismo clássico os primeiros convertidos foram, não como em Roma ou na Gália, os humildes e pobres, mas os membros da classe sacerdotal do mais alto nível. Foram que convertem os reis, a classe guerreira e o resto da população. Não houve antagonismo.

Os especialistas acreditam que foi entre o séc. VII e IX, data limite de uma Irlanda tipicamente celta, que a tradição literária ora que circulava foi escrita e assim conservada. De todas as literaturas celtas que nos chegam é a irlandesa que nos apresenta os traços mais arcaicos dessa civilização. Ela mostra a cultura celta num estágio infinitamente anterior ao que existia na época em que esses textos foram compilados.

A língua, a ausência de elaboração e de cuidados na composição e no estilo, característica do gosto francês, e precisamente o fundo mitológico foram os pontos ressaltados para a comprovação do arcaísmo desses textos. Em toda a Idade Média, neste país onde o cristianismo não mudou nem a estrutura social, nem a mentalidade , existiram concomitantemente duas literaturas escritas: uma latina e outra gaélica superpostas, a uma transmissão oral das lendas pré-cristãs.

A cristianização liberta também os povos celtas da Grã-Bretanha, País de gales, e Cornualha da proibição da escrita. A força da tradição literária , em princípio somente por via oral, depois escrita e oral permitiu a conservação de elementos celtas comuns nas duas literaturas; a irlandesa e a galesa. As literaturas insulares possuem entre si pontos de contato evidentes, devido à proximidade a aos contatos entre a Irlanda, o País de Gales e a Cornualha. São numerosos os heróis bretões no lendário Irlandês e vice-versa.

Os celtas são autores de uma literatura (se podemos chamar literatura uma longa tradição oral que muito posteriormente veio a ser compilada), onde percebemos uma acentuada preocupação com a temática do amor centrada na figura feminina, e que encerra as promessas dos futuros romances de cavalaria e do amor cortês.

Nos mitos e epopéias celtas o amor, o amor paixão é muito mais que um sentimento. Ele é o próprio destino do homem, do qual eles jamais fugiam. O amor louco, a dádiva total de si mesmo, a oblação, os reinos do sonho, a sacralização do ser amado tudo aí se encontra com riqueza de situações, temas, figuras e personagens19.

Mas os empréstimos galeses são em maior número que os Irlandeses. Os temas folclóricos como metamorfoses de animais que possuem uma longa existência são comuns às duas literaturas.

E é desta forma que nos chegaram dos centros de cultura bretã, as duas lendas que o Ocidente adotou e difundiu: a lenda arturiana e a história de Tristan e Yseut20. A lenda arturiana é bretã e possivelmente começa a ser constituir oralmente por volta do Séc. V. d.C, numa terra que em virtude do cristianismo imposto e das sucessivas invasões germânicas, começa a perder pouco suas tradições e crenças.

A crença celta na imortalidade da alma explica em grande parte o desapego do homem celta em relação à vida e consequentemente em relação ao sacrifício. (...)



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1Informações retiradas do livro Uma Luz Sobre Avallon/p>

2 A atribuição do nome celta a esta civilização é incontestável pela homogeneidade dos achados arqueológicos.

3 A Irlanda é comparada ao paraíso terrestre, habitada nos primórdios por cento e cinqüenta moças e três rapazes chefiados por uma mulher conhecida pelo nome de Banba, um dos nomes míticos da Irlanda. Banba chegou à Irlanda antes do dilúvio e da peste, aos quais só ela sobreviveu. Ela desaparece da narrativa durante as três primeiras invasões sofridas pela Irlanda para reaparecer mais adiante como rainha do quarto povo a invadir a ilha. A continuidade de sua presença é a própria identificação com a terra da Irlanda. Ela encarna a eterna Soberania, o que dispensa justificativas para sua existência e sobrevivência. É a partir do desaparecimento de Banba que começam as conquistas mítico-históricas.

4 É interessante observar que os textos apresentam todos os invasores como descendentes do primeiro invasor – Partholon-, o que nos deixa perceber que a principal preocupação dos autores do Livro das conquistas foi mostrar a continuidade do povoamento da Irlanda como terra prometida aos Goïdels, assim como a Palestina foi a terra prometida aos judeus.

5 Os FIR BOLG são a transição entre o sagrado representado por Nemea, e o Divino, representado pelo invasor.

6 Com os Tuatha-Dé-Danann, ou tribo da Deusa Dana, nós mergulhamos na mais profunda mitologia.

7 Que eles falassem o gaélico, o bretão ou o galês, que habitassem a Irlanda, a Gália ou a Grã-Bretanha, isto não impedia que formassem um conjunto único, amalgamados não só pela língua, mas principalmente pela religião – o druidismo. O nome druidismo foi criado pelos irlandeses da Idade Média para designar de uma maneira um tanto vaga a sua relação com os druidas, afastando-se dessa forma de qualquer realidade histórica. Na verdade a religião celta fica envolta numa nuvem de significações, na medida que se aplica não somente a um sistema religioso, mas também a uma tradição intelectual, artística, técnica e espiritual, uma cosmovisão comum a todos os povos celtas e perdida não só pela romanização, que a Irlanda jamais conheceu, mas principalmente pela cristianização.

8 Considerados pela história como os primeiros povos celtas que migram de uma parte noroeste da Alemanha, atingindo as ilhas Britânicas e a Irlanda).

9 Embora a existência desses povos não possa ser atestada pela História, eles foram aceitos pelos historiadores como os primeiros habitantes da Irlanda, e até mesmo considerados celtas.

10 Informação retirada cw 9/1 (pg. 16, parag. 5). “Archetypus” é uma perífrase explicativa do platônico. Para aquilo que nos ocupa, a denominação é precisa e de grande ajuda, pois nos diz que, no concernente aos conteúdos do incs coletivo, estamos tratando de tipos arcaicos, ou melhor, primordiais, isto é, de imagens universais que existiram desde os tempos mais remotos...(pg 17, parag. 6)...O conceito de “archetypus” só se aplica indiretamente às representantions collectives, na medida em que designar apenas aqueles conteúdos psíquicos que ainda não foram submetidos a qualquer elaboração consciente.

11 Esse tempo que marca um início é uma necessidade absoluta para qualquer crença, para justificar qualquer rito.

12 Assina também em uma série de artigos e livros, pelo nome de Potlach e o historiágrafo Giraldus Cambresis nos conta que os irlandeses selavam suas alianças.

13 Um outro conto do Mabinogion – “Kulhwch e Olwen”- nos mostra o Dom sendo concedido como ajuda numa aventura perigosa. Olwen é filha do monstro Yspadadden. Kulhwch descobre que sua mulher predestinada é Olwen, mas não sabe como poderá enfrentar Yspadadden. Ele chega à corte de Arthur e lhe pede um Dom que é imediatamente concedido: a ajuda necessária em cavaleiros para empreendera busca da mulher amada, diante de um pai que deverá impor condições extraordinárias. Acompanhado dos cavaleiros de Arthur, Kulhwch enfrenta Yspadadden , que exige provas perigosas. Trata-se de conseguir , para a festa de casamento, uma série de objetos maravilhosos. Os objetos são encontrados e Kulhwch pode casar-se com Olwen.

14 Essas sociedades que se organizavam em estado tribal, possuíam um único direito privado, que funcionava tanto para o civil quanto para o criminal.

15 A existência dos druidas era uma realidade no quadro da sociedade celta viva e organizada, onde tudo se articulava em torno do Sagrado.

16 Ela era a geradora divina, o alimento dos deuses, evidenciando desta forma sua face de deusa da fertilidade. Ela não era desconhecida nos outros países celtas. Os galeses a chamavam Dôn. Entre os gauleses ela era Ana e possuía um culto fervoroso.

17 Psicopompo

18 A mulher outrora, bem amada ficou profundamente angustiada pela perda de sua coroa, pela degradação em que o patriarcado, associado ao direito romano e ao cristianismo, a mergulhou.

19 Ai se encontra a mulher amada, enigmática ou exemplar, comparada a uma divindade ou a um sonho de uma vida feliz. Nesta tradição, o amor está desvinculado da procriação e projeta os amantes, através da paixão, num domínio para além do humano.

20 Traduzida no português como: “Tristão e Isolda”.

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